Teotopias

O projeto TEOTOPIAS nasceu em 2019, como uma comunidade informal de investigadores e autores que se dedicam ao estudo dos “lugares” em que a literatura e a teologia coexistem e dialogam, num amplexo que convoca as artes e as ciências humanas.

Objetivos: [1.º] desenvolver projetos no âmbito das intersecções da literatura e da teologia, em parceria com unidades académicas e centros de investigação portugueses e estrangeiros; [2.º] organizar um colóquio bienal no Centro Regional do Porto da UCP, em parceria com a Cátedra Poesia e Transcendência e outras instituições de natureza académica e cultural; [3.º] coordenar/promover edições no âmbito das hermenêuticas do religioso nos espaços literários; [4.º] estudar e divulgar obras e autores que se situam interrogativamente diante da transcendência, nas suas múltiplas expressões.


«A interrogação teoliterária – ou especificamente teopoética – pode ser um “lugar”: lugar de interseções e interações, convergências e dispersões, encontros e desencontros; e o texto literário “onde” essa interrogação assoma pode ser concebido como uma “teotopia” da qual nos abeiramos até se tornar uma estância. Para topografar os lugares de Deus na literatura talvez tivéssemos de dispor dos rudimentos de uma ciência como a teotopologia literária.
Com efeito, se a teotopologia literária existisse, não seria apenas uma espécie de topografia de teologemas. Nem teria a pretensão de resultar num estudo sobre a colocação ou disposição, num texto, de teologemas ou de semantemas análogos ao semantema “Deus”. Se existisse uma teotopologia literária, e se alguma pragmática lhe assistisse, serviria certamente para estabelecer sistemas de coordenadas multidimensionais que, nos vastos territórios da literatura, permitissem situar a teoliterária, analisar a sua organicidade paradoxalmente eutópica e distópica, e documentar a diversidade topológica de teotopias, esses lugares que Deus [como interrogação] habita, mesmo quando parece habitar apenas o sentimento da sua ausência.
Se a teotopologia literária existisse, creio que o teologismo seria a sua primeira e mais perigosa tentação. Outras tentações – benevolamente mais ingénuas – seriam inevitáveis, como a de sobrepor simplisticamente teotopia e teofania, ou a de supor uma relação de inerência entre teoliterária e teopneustia.
Se a teotopologia literária existisse, creio que não poderia prescindir de ferramentas como a comoção estésica e a intuição [enquanto pressentimento da verdade]. Tratar-se-ia de uma heurística e tornar-se-ia uma importante ferramenta para perscrutar Deus como interrogação na literatura. Na literatura em geral e concretamente na poesia, sendo que a poesia não é apenas um género literário, mas – mais profundamente – uma condição essencial que perpassa e qualifica todas as formas de arte».

José Rui Teixeira | Vestigia Dei. Uma leitura teotopológica da literatura portuguesa.
Maia: Cosmorama Edições, 2019, 9-10.


Coordenação científica

Cátedra Poesia e Transcendência | UCP Porto

José Rui Teixeira | jrteixeira@
José Pedro Angélico | jpangelico@


Investigadores

Alex Villas Boas
Ana Rodríguez Falcón
António Filipe Barbosa
Cristina Bustamante
Gonçalo Cordeiro
Hélder Moreira
Jorge Teixeira
Luís Leal
Marcio Cappelli
Maria Clara Bingemer
Maria de Lourdes Pereira
Mariano Carou
Martinho Soares
Pedro Pereira
Roberto Onell
Ruy Ventura
Silvia Campana


Parcerias

Asociación Latinoamericana de Literatura y Teología
Casa Comum | Reitoria da Universidade do Porto
Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião | UCP
Faculdade de Teologia | UCP Porto
Officium Lectionis
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura